quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Casablanca.



Não, este post não é sobre nenhuma cidade marroquina, nem sobre nenhum filme de 1942. Este post é sobre a "A maior companhia de espetáculos de África, uma das melhores do terceiro mundo" (sic) - a Casa Blanca, Produção de Espectáculos.

Esta empresa com sede em Luanda é o meu mais recente objecto de fascínio. Uma simples visita ao site da empresa basta para avivar o mais tétrico estado de espírito. Senão, veja-se: existe no site um agradecimento do Presidente da República (Angolana, suponho eu) inexistente; a afirmação de que já produziram "os melhores artistas de Angola, África (Angola deve ser no sudeste asiático...), Brasil, Antilhas, Terceiro Mundo (que é certamente algures entre a Cova da Moura Norte e a Cova da Moura Sul), e dos Estados Unidos da América - agora vamos produzir estrelas mundiais (porque antes era só de Marte para a frente)"; e ainda fotografias de sobra do Presidente Angolano, José Eduardo dos Santos (ou será um sósia?), esse paladino da livre expressão, que volta e meia manda um jornalista para a cadeia.

Ainda assim, a Casa Blanca, que é actualmente investigada pelo terrível órgão português de censura artística - a Polícia Judiciária - por suspeitas de branqueamento de capitais, reserva uma última surpresa no site...

...e que surpresa! Após ter conseguido adiar e voltar a adiar o mesmo espectáculo megalómano (errrrr... para os que estão a ler com menos atenção: É A CASA BLANCA! NÃO HÁ ESPECTÁCULO NENHUM!) em apenas dois meses, sendo que o promoveu em tudo quanto é sítio (outdoors, televisão, imprensa, etc.), a empresa propõe-nos um espectáculo ainda mais piramidal: o Festival Internacional de Apoio a Angola "FestiAngola", a realizar em Bruxelas!

Perceba-se: no tal festival a realizar no Pavilhão Atlântico, o cartaz era realmente megalómano, tendo em conta o local do evento e o facto do cartaz conter uma mão-cheia dos mais bem sucedidos artistas do, so called, Hip-hop americano. Constato agora que este cartaz não era nada, quando comparado com o elenco para o festival de Bruxelas.

Termino esta ode à Casa Blanca, que já vai longa, com um resumo da lista dos músicos que estarão presentes no "FestiAngola":

-Artistas africanos mundialmente reconhecidos como Koffi Olomidé, Lokua Kanza e Youssou N'Dour.

-Artistas americanos como Tracy Shapman (a Tracy Chapman não devia poder ir... Então convidaram a sua gémea malévola!), SisQó e Michael Jackson (acho que este nem preciso de comentar...).

-Artistas do Reino Unido como Sting, Phill Collins (devem ter pensado que se o segundo nome tinha dois l's, o primeiro também deveria ter) e Rolling Stone (ou seja, deve ser só um elemento dos Rolling Stones. Qual? Não sei...).

-Artistas italianos como Laura Pousini (a piada dos erros ortográficos já deve estar um pouco gasta, não?) e Luciano Pavarotti (que, só por acaso, já se retirou...).

-Artistas das Antilhas, como Ziggy Marley (tentaram o pai dele, Bob Marley, mas este armou-se em estrela e disse que não podia ir).

-Artistas falecidos como Raúl Ouro Negro (aqui está um tipo humilde, ao contrário do Bob Marley que se armou em vedeta só por estar morto).


Oh well... "We'll always have Paris."

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Chagall, 1977.



Le Couple
Marc Chagall, 1977
em Saint-Paul-de-Vence, colecção privada

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

The winner takes it: Al.



Para pena minha hoje de manhã, quedei-me a ver os Óscares madrugada fora. Continuam a ser acontecimento suficiente para me manter acordado e para que me digne a escrever sobre tal tema, mesmo havendo-me sentido frustrado ao longo da cerimónia; 2006 não foi ano de ir ao cinema. O pouco tempo que dediquei à mais completa arte fez com que não pudesse ir avaliar por mim uns 80% dos filmes, representações e afins nomeados.

Na generalidade das opiniões, o grande vencedor da noite foi The Departed, de Martin Scorcese, com 5 nomeações e 4 óscares. Para outros terá sido Helen Mirren, que aos 61 anos conseguiu arrecadar o primeiro óscar de melhor actriz principal, pelo seu brilhante desempenho enquanto Rainha Elizabeth II (havia já sido nomeada anteriormente para dois óscares de melhor actriz secundária, não recebendo nenhum).

No que me concerne, o vencedor da noite foi Al Gore, que partindo de discursos cativantes, variando entre a comédia subtil e o activismo de pacotilha, e ainda de dois óscares (melhor canção original e melhor documentário) atribuídos ao documentário que retrata a sua campanha anti-aquecimento global, conseguiu levar a água ao seu moinho, obtendo tempo de antena privilegiadíssimo e alguma comoção entre os mais susceptíveis presentes no Kodak Theatre. A agravar tudo isto, temos ainda o facto deste senhor, que até já veio a Lisboa dar uma conferência sobre o referido louvável documentário, ter pertencido à Administração americana que se recusou a assinar o Protocolo de Quioto, havendo participado nas rondas de negociação.

Os grandes derrotados foram Babel, de Alejandro González Iñárritu, que nomeado para 7 óscares ganhou apenas 1 pela melhor trilha sonora e Eddie Murphy, que após ter ganho o globo de ouro e o prémio do Screen Actors Guild, ambos para melhor actor secundário, falhou o óscar.

Na minha opinião, o grande derrotado, para muita pena minha, foi Peter O'Toole. Este irlandês de 74 anos é um dos meus actores de eleição e conseguiu não levar o óscar para casa pela 8ª vez. Nunca o levou! À excepção daquela vez em que levou um óscar honorário por todo o talento empenhado na interpretação de personagens, contribuindo assim para o enriquecimento da história do cinema.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

The Last King of Scotland.



Este é daqueles filmes que guardo na mesma prateleira que Hotel Rwanda ou Blood Diamond, para citar filmes mais recentes. Estereótipo? Sim, pois sem outras fitas para estabelecer comparações e sem outras géneros (prateleiras) onde enquadrar essas mesmas fitas, torna-se complexa a análise de um dado filme.
No entanto, apesar de ter gostado bastante de Hotel Rwanda e de Blood Diamond, The Last King of Scotland não ficou atrás, tornando-se num dos meus favoritos da prateleira. É um filme que vive de uma representação muito boa e de um argumento que nos diz algo enquanto seres conhecedores da história do Uganda e enquanto portadores de um passado colonial africano.
Forest Whitaker é brilhante enquanto Idi Amin Dada (Globo de Ouro para Melhor Actor Principal em Drama. Vamos ver se hoje ganha o Óscar para o qual está nomedo), embora James McAvoy complete o ramalhete de forma competente.
Vale a pena ir ver, pelos olhos de um médico ficcional, este retrato do período mortífero em que Idi Amin esteve à frente dos destinos do Uganda. "...my Nicholas!"

Realização: 6/10

Representação: 9/10

Argumento: 7/10

Outros: 6/10

Total: 7 pontos.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Fosse o Dandy americano...



Fosse o Dandy americano, a mais de ano e meio das eleições presidenciais, já havia seleccionado o seu candidato. O sentido de voto iria para este senhor aqui por cima, Rudolph Giuliani.
Rudy Giuliani é indubitavelmente o melhor candidato, pois para além de conseguir ser tão bom como quaisquer eventuais adversários nos seus "territórios", ainda consegue ter vantagens em domínios que são só seus.

Começando com os Republicanos (dos quais Giuliani faz parte) temos John McCain e Condoleezza Rice, sendo que apesar de esta última ter afirmado que não estaria interessada em concorrer, é ainda assim das 3 melhores hipóteses que os republicanos têm de ganhar.

John McCain
obteve o seu salto para a ribalta por ter sido prisioneiro de guerra entre 1967 e 1973. Obteve extensa formação militar e o seu grande trunfo, para além de uma já extensa carreira política, é a sua folha de serviço militar.

Condoleezza Rice
é a actual Secretária de Estado. É notório o facto de ser a primeira mulher negra a desempenhar o cargo em que está investida. A Ciência Política foi o cerne da sua formação académica. Tem por principais vantagem a visibilidade mediática do cargo que ocupa e a sobriedade.

Passando para os Democratas, os candidatos mais fortes são Hillary Clinton e John Edwards (não me digam que um tipo chamado Barack Hussein Obama ganha o que quer que seja em solo americano).

Hillary Clinton
já foi um pouco de tudo. Desde primeira-dama, a primeira-dama traída pelo seu marido/presidente (riscar o que não interessa), a senadora, etc... Falta-lhe ser presidente. A formação desta senhora passou pela Ciência Política e pelo Direito. O seu grande trunfo? É a candidata democrata.

John Edwards
quer baralhar as contas. Tal como Hillary, é um candidato assumido, embora a senhora esteja numa posição muito mais vatajosa. Edwards é senador e foi candidato a vice-presidente nas últimas eleições. A formação académica deste senhor é essencialmente jurídica e o seu trunfo passa pela sua imagem limpinha perante a sociedade norte-americana e por ter uma campanha tão funcional como um relógio suíço.

Rudolph Giuliani
ganha por Knock Out! Este senhor foi o responsável pela redução, até niveis mínimos, da criminalidade numa cidade à altura corrompida pelo crime... Nova Iorque. Fê-lo na barra dos tribunais enquanto United States Attorney e também quando desempenhou dois mandatos como Mayor da cidade. Este senhor, para além de possuir uma formação jurídica essencial a qualquer cargo político de topo, possui ainda a distinção não oficial de Mayor da America. Venceu o câncro e conduziu Nova Iorque no seu período mais conturbado, o pós-11 de Setembro. De referir que é o único dos nomes aqui apresentados que é católico. Republicano e católico... É preciso pedir mais?

Alfie.


No Dandyphone: Joss Stone - Alfie

What's it all about, Alfie?
Is it just for the moment we live?
What's it all about when you sort it out, Alfie?
Are we meant to take more than we give
Or are we meant to be kind?
And if only fools are kind, Alfie,
Then I guess it's wise to be cruel.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Verde e Vermelho.


Uma questão que sempre me intrigou foi o porquê das cores da bandeira nacional. Na escola ouvimos estórias fáceis sobre o verde da esperança e o vermelho do sangue derramado em batalha. Ou antes, do verde, cor do mar que nos permitiu a expansão e do vermelho, cor do Sol pondo-se atrás desse mar. Versões estas que, sabe-se lá porquê, nunca me encheram as medidas.

A verdade é que tudo aponta para que estas fossem as cores que representavam o federalismo ibérico, muito em voga, a partir de 1891, entre os republicanos e a maçonaria. Note-se que em voga estavam quer as cores, quer o bom do federalismo...


Ora, eu que possuo uma veia patriota, ainda que não me considere grande nacionalista, não aprecio muito o facto de saber que as cores da pátria exprimem o desejo de que hablemos todos castelhano e de que façamos todos fila para ir às rebajas do "El Corte Inglés".

Não se julgue que não desfraldei a bandeira (porque os gestos também podem ter o seu quê de kitsch) por ocasião do europeu de futebol. Deu gozo ser convictamente tuga (sic) perante os inúmeros turistas de ocasião que nos visitaram. Ainda assim, o meu "bichinho álacre e sedento" não parou de me impelir a saber algo mais sobre esse vermelho e verde que a todos, volta e meia, entra pelos olhos, pedindo em troca, por vezes, lágrimas de comoção patriota.

Mais, tomando consciência dos factos anteriormente referidos, os tais do Iberismo, fiquei curioso quanto à existência de outras propostas para uma bandeira republicana. Ressalva seja feita; sou republicano por preguiça, pois não encontrando particular utilidade para a monarquia em Portugal e não sendo adepto de convulsões sociais, prefiro manter o regime instituído há 96 anos a esta parte.

Parti então numa demanda que não me deu grande trabalho, verdade seja dita. Encontrei um site, do qual constavam uma série de propostas de bandeiras para a República Portuguesa. De entre todas, houve uma que me chamou à atenção e que aqui apresento.


A minha preferência recaiu na proposta apresentada por Álvaro da Silva Foito, pois é uma bandeira que, para além de manter as cores da bandeira da monarquia constitucional, se limita a retirar-lhe a corôa, mantendo o escudo e adicionando alguns adornos de índole republicana. Diga-se de passagem que, sentimentalismos à parte, chega mesmo a ser bastante mais interessante do ponto de vista estético.


fonte: Flags of the World.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Pátria e Povo.



Novíssimo blogue promissor. "Pátria e Povo", por João Gomes e João Prazeres de Matos.
Um abraço aos dois.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

República das Bananas.



É Carnaval... Ninguém leva a mal?

Severini, 1915.



Treno Blindato in Azione
Gino Severini, 1915
Óleo sobre tela, 116 x 89 cm
em Nova Iorque, The Museum of Modern Art